sábado, 17 de novembro de 2012
FORMAÇÃO CRISTÃ
Um outro cristianismo é possível...
Existem, infelizmente, dois grandes discursos na Igreja nessa atual conjuntura, duas formas distintas de viver a eclesialidade nos dias atuais. O primeiro, mais em volga principalmente na mídia e nas grandes concentrações da fé, traz uma abordagem conservadora e tradicionalista, geralmente imbuída de muito emocionalismo e devocionismo. Jesus Cristo, a partir dessa vertente, é o Senhor dos grandes milagres e dos discursos moralistas, desvinculados da vida real e das condições históricas de seu povo. Nessa perspectiva, surgem quase sempre cristãos infantilizados, despreparados para enfrentar os desafios deste mundo caótico e desprovidos de identidade eclesial. Quando não temos consciência clara de quem é Jesus Cristo e de quem realmente somos, nos tornamos dóceis crianças conduzidas por qualquer vã doutrina ou por qualquer um que se apresente diante de nós. Acabamos nos tornando meros frequentadores de atos litúrgicos, de reuniões e mais reuniões infrutíferas, figuras medrosas e acanhadas na vida real. As fórmulas devocionais desse grupo de "verdadeiros guerreiros da fé" são cópias mal-feitas de um neopentecostalismo alienante e completamente avesso dos ensinamentos claros e "incômodos" da doutrina social da Igreja.
Recentemente, um site católico de renome, publicou o seu "index" condenando uma série de leigos, religiosos, sacerdotes e bispos, taxando-lhes de "comunistas e propagadores de uma doutrina anti-cristã". Até que ponto chega o nosso olhar míope da fé! As vendas da hipocrisia e da ignorância nos impedem de ver a verdade e experimentar o "gostinho" inconfundível da fé cristã. Lutar por uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária, denunciar os desmandos daqueles que oprimem e massacram os mais pobres, conscientizar a população acerca de seus direitos e deveres, unir fé e vida são obrigações dos que se dizem discípulos e missionários de Cristo. Aonde foram parar as Conferências de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida que tanto enfatizam a opção preferencial pelos pobres? Se isso é coisa de comunista, quero o meu nome incluído nessa relação!
A outra vertente de Igreja, presente principalmente nas pequenas comunidades, tenta dar visibilidade aos clamores dos inúmeros excluídos da sociedade. Acusados implacavelmente de envolvimento ideológico com o político e o social ("marxização" da fé cristã), os ditos "comunistas" representam a voz profética do cristianismo há muito esquecida, mas nunca silenciada. A Teologia da Libertação, tão atacada e vilipendiada pelas autocracias eclesiásticas, continua a motivar, embalar as grandes lutas, inspirar os corajosos profetas da contemporaneidade que ainda acreditam em um outro cristianismo. Na maneira simples de celebrar e partir o pão, vemos claramente o espaço fraterno aonde as minorias celebram o grande festim do Reino de Deus, já presente aqui e agora.
Duas faces de uma mesma Igreja! Opostas ou unidas na diversidade? Martin Luther King, em um de seus memoráveis discursos, disse certa vez: "Precisamos nos unir como irmãos ou pereceremos como loucos." O caminho que nos é proposto é resgatar o verdadeiro projeto de Jesus Cristo, para que ele não se torne uma figura proeminente do passado sem implicações concretas na vida atual. Qual a imagem de Jesus Cristo que devemos apresentar ao povo cristão em catequese, ensino religioso e homilia? Qual a importância de um determinado referencial cristológico para o (não-) engajamento social e político de cristãos e cristãs?
Por César Augusto Rocha - coordenador do Conselho Diocesano de Leigos/as
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
SANTA GERTRUDES DE HELFTA - 16 de novembro - Memória
SANTA GERTRUDES DE HELFTA (1256-1302)
Santa Gertrudes de Helfta foi monja cisterciense e escritora mística, também conhecida como Gertrudes a Grande, ou Gertrudes a Magna. Das origens de Gertrudes de Helfta só se conhece a data de nascimento: 6 de janeiro de 1256. O lugar parece ter sido Eisleben, e a familia é um enigma. O silêncio a respeito resultou suspeito, e se há elaborado conjecturas como a procedência servil ou pobre; haver sido abandonada; ou ser filha ilegítima de algum nobre. O que é seguro é que em sua familia existiam circunstâncias que na época não era adequado mencionar.
Com a idade de 5 anos ingressou no monasterio de Helfta. Sobre isto tão pouco hão ficado noticias, desconhecendo-se como chegou e se foi acolhida exclusivamente como educanda, para ser formada na escola de meninas a cargo de Matilde de Hackeborn; ou como oblata, oferecida a Deus para converter-se em monja.
Gertrudes iniciou sua aprendizagem monástica. Realizou o noviciado, professou e recebeu uma cuidada formação teológica, filosófica, literaria e musical. Sua vida foi normal até os 25 anos, como uma monja a mais do monastério, dedicada à copia de manuscritos, a costura e aos labores agrícolas da horta monastica. Não desempenhou cargos importantes, ou ao menos só se conhece que foi cantora segundo às ordens de Matilde de Hackeborn.
Em 27 de janeiro de 1281 teve sua primeira experiencia mística, que suporía uma profunda mudança em sua vida. Se tratou de uma visão de Cristo adolescente, que lhe dizia: "Não temas, te salvarei, te livrarei... Volve-te a mim e eu te embriagarei com a torrente de meu divino regalo". A partir disto deixou os estudos profanos e de literatura pelos estudos teológicos; e sua existência passou de ser rotineira a viver uma profunda experiencia mística.
Gertrudes viverá uma intensa vida mística em meio a vida comunitaria. Muitas vezes sofreu enfermidades, porém isto não a incapacitou para dedicar-se a escrever diversas obras literárias entre as que se encontravam comentarios à Sagrada Escritura. Se perderam quase todas as suas obras, conservando-se só três.
Memorial da abundancia da divina suavidade. Tem 24 capítulos. O gênero é semelhante às Confissões de Santo Agostinho. Recolhe a experiencia mística de Gertrudes desde sua conversão até o ano 1190.
Dos materiais soltos escritos ou ditados por Gertrudes, assim como os recolhidos pelas monjas contemporaneas, surgiu a segunda obra. A autora que os ordenou permanece no anonimato, e se chama a si mesma "redatora" (redactrix). A compilação se terminou pouco antes de morrer Gertrudes. Consta de cinco livros. O primeiro é um panegírico da pessoa e atividade de Gertrudes de Helfta, obra da redatora. O segundo incorpora o Memorial exclusivamente. Os livros terceiro, quarto e quinto recolhem os materiais de diversa procedência, que relatam as experiencias místicas de Gertrudes em torno às festas litúrgicas, assim como as revelações recebidas sobre a morte e gloria de pessoas de sua volta.
Livro de orações composto integralmente por Gertrudes. A finalidade é reavivar o fervor religioso mediante a reflexão. São 7 exercicios, que respondem aos momentos mais importantes da vida de uma monja: batismo, conversão, consagração virginal, profissão monástica, louvor divino e morte, entendida como encontro com o divino Esposo.
Toda a obra de Gertrudes se organiza em torno à vida monástica, cujo centro é a Liturgia das Horas, a Eucaristia e a Lectio Divina. Sua espiritualidade é de caráter cristocêntrico, destacando especialmente a imagem do Coração de Jesus, símbolo do amor divino. Suas obras, junto com a de Matilde de Hackeborn, são um dos testemunhos mais antigos desta devoção. A presença da Virgem Maria também é importante, porém sua mariologia se integra por completo em sua cristologia.
A respeito das virtudes, têm uma visão otimista e positiva, em chave de acolhida da graça divina e de progressiva união com Cristo, mais que como uma luta contra os vicios e as paixões. Junto a isto desenvolve a ideia da suplência de Cristo, pela qual o amor de Jesus lhe leva a suprir e sanar com seus méritos e virtudes a insuficiência do homem para salvar-se.
Tudo isso entrega ao homem a liberdade de coração. Talvez este seja o ponto que mais chamou a atenção aos seus leitores. Gertrudes se sente soberanamente livre confiando plenamente no amor e na misericordia de Cristo. Isso a fez ser otimista e intrépida, manifestándo-o por exemplo em sua prática de comungar sempre que podia, algo impensavel para seu tempo, pelas orações, jejuns e exercicios necessários para preparar-se. A suplência de Cristo sanava os esquecimentos a este respeito.
Seus escritos e espiritualidade passaram desapercebidos até 1536 em que os cartuxos de Colonia imprimem o Memorial. A aceitação e êxito foi enorme, e se produziu toda uma corrente espiritual em torno a ela que se traduziu em reedições contínuas de seus escritos e numerosas biografias. Por tal êxito, e ao desconhecer o apelido, começou a ser chamada Gertrudes a Grande, ou a Magna.
Gertrudes morreu em 17 de novembro de 1302, em Helfta, aos 45 anos de idade.
PENSAMENTOS DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA
"Ó Amor, o ardor de tua divindade abriu-me o Coração dulcíssimo de Jesus! Ó Coração do qual mana toda doçura. Ó Coração transbordante de ternura. Ó Coração repleto de caridade!"
"Beber desta fonte salvadora significa restituir a si a própria verdade, ofuscada pelo pecado, para recuperar a luminosidade da inteligência e do amor originais. Quem faz tal experiência reencontra o próprio coração, recriado no amor de Deus"
"Ó Amor, mergulha meu espírito nas águas deste Coração melífluo, sepultando nas profundezas da divina misericórdia todo o peso da minha iniqüidade e da minha negligência. Restitui-me, em Cristo, uma inteligência luminosa e um afeto puro, para que – através de ti – eu possa ter um coração imune, desembaraçado e livre".
"Ó Senhor, desejo louvar-te e agradecer-te porque, apesar da minha indignidade, mantiveste tua transbordante ternura para comigo. Quero ainda louvar-te porque alguns, ao ler estas páginas, poderão saborear na intimidade de seu ser as mais elevadas experiências. De fato, por meio do alfabeto, alcançam a ciência da filosofia aqueles que querem estudar; similarmente, por meio de sinais que, na verdade, são apenas figuras retratadas, os leitores destas páginas aprenderão a degustar dentro de si mesmos aquele maná escondido que não poderia ser associado a nenhuma mistura de imagens corpóreas, e de cujo sabor somente quem já experimentou sentirá fome".
"Naquela mesma hora, quando minha memória ainda se ocupava devotamente com tais pensamentos, senti que me estava sendo divinamente concedido – a mim, tão indigna que sou – aquilo mesmo que havia pedido na oração, isto é: no interior de meu coração, como sendo um lugar corpóreo, eu soube que tinham sido impressos os sinais de tuas santíssimas chagas, dignas de respeito e adoração".
"Deus onipotente e Mestre generoso de todo bem, digna-te garantir-nos sempre este alimento enquanto caminhamos em nosso exílio, na espera de que – contemplando com rosto descoberto a glória do Cristo – sejamos transformados à sua própria imagem, de luz em luz, como sob suavíssimo sopro".
"Durante uma pregação feita na capela por um frade, este dizia: 'O amor é um dardo de ouro. Se o homem o lança sobre qualquer outra pessoa, ele a possui de algum modo. Seria, pois, loucura usar o amor para os bens terrestres, mas negligenciar os bens celestes'. Inflamada por tais palavras, Gertrudes disse ao Senhor: 'Que me seja condedido este dardo! Então, sem esperar um segundo, eu me esforçaria para vos transpassar com ele, a Vós, único bem-amado de minha alma, para ter-vos sempre comigo'. Ela ainda pronunciava tais palavras, quando viu o Senhor que a mirava com uma flecha áurea e lhe dizia: 'Tu planejas ferir-me, caso possuísses uma flecha de ouro. Mas eis que sou eu quem a tenho! Desejo com ela transpassar-te de tal modo, que jamais poderás sarar'".
"E era uma flecha com três curvaturas: no início, no meio e na extremidade. Assim se mostrava o tríplice efeito que esta flecha provocava na alma ferida. Quando a primeira curvatura penetra na alma, sua ferida a torna semelhante a um enfermo, que sente somente desgosto pelos bens passageiros: não há coisa alguma neste mundo que lhe assegure prazer nem consolação. A segunda, ao penetrar na alma, a faz parecer uma pessoa com alta febre que, exasperada pela dor, reclama pelo remédio com extrema impaciência. Assim é a alma nesta situação: o desejo que possui é tão intenso que, sem conseguir dominá-lo nem moderá-lo, arde por unir-se a Deus. E quando isto lhe parece impossível, se acaso ela não o experimenta, chega quase a perder o respiro. A terceira curvatura, enfim, quando penetra na alma, a faz elevar-se a uma altura tão sublime que nenhum de nós pode imaginar. A tal ponto, que uma mínima descrição deste estado nos faria dizer que a alma – como se fosse separada de seu corpo – estivesse toda mergulhada em delícias, nas torrentes do néctar da divindade".
"Ó Fogo verdadeiro que tudo consome! Ó Fogo operante, cujo poder queima os vícios para manifestar à alma o suave vigor de tua unção! Só em ti nos é dada a força que restaura, re-fomando nosso ser segundo a imagem e semelhança original".
"Eu recitava esta prece: 'Pelo vosso Coração transpassado, ó Senhor amantíssimo, dignai-vos transpassar meu coração com os dardos de vosso amor, para que nada de terrestre nele pemaneça e que ele seja repleto unicamente da virtude de vossa divindade'. Tendo assim rezado, bem depressa percebi – através de uma graça interior e de um sinal externo que vi surgir sobre o crucifixo – que minha prece havia chegado ao vosso Coração. Com efeito, depois de receber o sacramento da vida, já de volta ao meu lugar, pareceu-me ver partir do lado direito do crucifixo que está impresso sobre meu livro algo como um raio de sol, cuja extremidade tinha forma de uma flecha. Este raio emanava vigorosamente em minha direção. Conteve-se por um instante, depois se lançou novamente e permaneceu fixo, atraindo toda a minha afeição".
"Ainda que sabia eu que me achava no dormitorio, me parecia que me encontrava no lugar do coro aonde costumava fazer minhas tibias orações e ouvi estas palavras 'eu te salvarei e te livrarei. Não Temas'. Quando o Senhor disse isto, extendeu sua mão mão fina e delicada até tocar a minha, como para confirmar sua promessa e proseguiu: 'Has mordido o pó com meus inimigos e has tratado de extrair mel dos espinhos. Volve-te agora a Mim, e minhas delicias divinas serão para ti como vinho'".
"Então vi na mão que pouco antes se me havía dado como prenda, as joias radiantes que anularam a pena de morte que havia sobre nós".
Com a idade de 5 anos ingressou no monasterio de Helfta. Sobre isto tão pouco hão ficado noticias, desconhecendo-se como chegou e se foi acolhida exclusivamente como educanda, para ser formada na escola de meninas a cargo de Matilde de Hackeborn; ou como oblata, oferecida a Deus para converter-se em monja.
Gertrudes iniciou sua aprendizagem monástica. Realizou o noviciado, professou e recebeu uma cuidada formação teológica, filosófica, literaria e musical. Sua vida foi normal até os 25 anos, como uma monja a mais do monastério, dedicada à copia de manuscritos, a costura e aos labores agrícolas da horta monastica. Não desempenhou cargos importantes, ou ao menos só se conhece que foi cantora segundo às ordens de Matilde de Hackeborn.
Em 27 de janeiro de 1281 teve sua primeira experiencia mística, que suporía uma profunda mudança em sua vida. Se tratou de uma visão de Cristo adolescente, que lhe dizia: "Não temas, te salvarei, te livrarei... Volve-te a mim e eu te embriagarei com a torrente de meu divino regalo". A partir disto deixou os estudos profanos e de literatura pelos estudos teológicos; e sua existência passou de ser rotineira a viver uma profunda experiencia mística.
Gertrudes viverá uma intensa vida mística em meio a vida comunitaria. Muitas vezes sofreu enfermidades, porém isto não a incapacitou para dedicar-se a escrever diversas obras literárias entre as que se encontravam comentarios à Sagrada Escritura. Se perderam quase todas as suas obras, conservando-se só três.
Memorial da abundancia da divina suavidade. Tem 24 capítulos. O gênero é semelhante às Confissões de Santo Agostinho. Recolhe a experiencia mística de Gertrudes desde sua conversão até o ano 1190.
Dos materiais soltos escritos ou ditados por Gertrudes, assim como os recolhidos pelas monjas contemporaneas, surgiu a segunda obra. A autora que os ordenou permanece no anonimato, e se chama a si mesma "redatora" (redactrix). A compilação se terminou pouco antes de morrer Gertrudes. Consta de cinco livros. O primeiro é um panegírico da pessoa e atividade de Gertrudes de Helfta, obra da redatora. O segundo incorpora o Memorial exclusivamente. Os livros terceiro, quarto e quinto recolhem os materiais de diversa procedência, que relatam as experiencias místicas de Gertrudes em torno às festas litúrgicas, assim como as revelações recebidas sobre a morte e gloria de pessoas de sua volta.
Livro de orações composto integralmente por Gertrudes. A finalidade é reavivar o fervor religioso mediante a reflexão. São 7 exercicios, que respondem aos momentos mais importantes da vida de uma monja: batismo, conversão, consagração virginal, profissão monástica, louvor divino e morte, entendida como encontro com o divino Esposo.
Toda a obra de Gertrudes se organiza em torno à vida monástica, cujo centro é a Liturgia das Horas, a Eucaristia e a Lectio Divina. Sua espiritualidade é de caráter cristocêntrico, destacando especialmente a imagem do Coração de Jesus, símbolo do amor divino. Suas obras, junto com a de Matilde de Hackeborn, são um dos testemunhos mais antigos desta devoção. A presença da Virgem Maria também é importante, porém sua mariologia se integra por completo em sua cristologia.
A respeito das virtudes, têm uma visão otimista e positiva, em chave de acolhida da graça divina e de progressiva união com Cristo, mais que como uma luta contra os vicios e as paixões. Junto a isto desenvolve a ideia da suplência de Cristo, pela qual o amor de Jesus lhe leva a suprir e sanar com seus méritos e virtudes a insuficiência do homem para salvar-se.
Tudo isso entrega ao homem a liberdade de coração. Talvez este seja o ponto que mais chamou a atenção aos seus leitores. Gertrudes se sente soberanamente livre confiando plenamente no amor e na misericordia de Cristo. Isso a fez ser otimista e intrépida, manifestándo-o por exemplo em sua prática de comungar sempre que podia, algo impensavel para seu tempo, pelas orações, jejuns e exercicios necessários para preparar-se. A suplência de Cristo sanava os esquecimentos a este respeito.
Seus escritos e espiritualidade passaram desapercebidos até 1536 em que os cartuxos de Colonia imprimem o Memorial. A aceitação e êxito foi enorme, e se produziu toda uma corrente espiritual em torno a ela que se traduziu em reedições contínuas de seus escritos e numerosas biografias. Por tal êxito, e ao desconhecer o apelido, começou a ser chamada Gertrudes a Grande, ou a Magna.
Gertrudes morreu em 17 de novembro de 1302, em Helfta, aos 45 anos de idade.
PENSAMENTOS DE SANTA GERTRUDES DE HELFTA
"Ó Amor, o ardor de tua divindade abriu-me o Coração dulcíssimo de Jesus! Ó Coração do qual mana toda doçura. Ó Coração transbordante de ternura. Ó Coração repleto de caridade!"
"Beber desta fonte salvadora significa restituir a si a própria verdade, ofuscada pelo pecado, para recuperar a luminosidade da inteligência e do amor originais. Quem faz tal experiência reencontra o próprio coração, recriado no amor de Deus"
"Ó Amor, mergulha meu espírito nas águas deste Coração melífluo, sepultando nas profundezas da divina misericórdia todo o peso da minha iniqüidade e da minha negligência. Restitui-me, em Cristo, uma inteligência luminosa e um afeto puro, para que – através de ti – eu possa ter um coração imune, desembaraçado e livre".
"Ó Senhor, desejo louvar-te e agradecer-te porque, apesar da minha indignidade, mantiveste tua transbordante ternura para comigo. Quero ainda louvar-te porque alguns, ao ler estas páginas, poderão saborear na intimidade de seu ser as mais elevadas experiências. De fato, por meio do alfabeto, alcançam a ciência da filosofia aqueles que querem estudar; similarmente, por meio de sinais que, na verdade, são apenas figuras retratadas, os leitores destas páginas aprenderão a degustar dentro de si mesmos aquele maná escondido que não poderia ser associado a nenhuma mistura de imagens corpóreas, e de cujo sabor somente quem já experimentou sentirá fome".
"Naquela mesma hora, quando minha memória ainda se ocupava devotamente com tais pensamentos, senti que me estava sendo divinamente concedido – a mim, tão indigna que sou – aquilo mesmo que havia pedido na oração, isto é: no interior de meu coração, como sendo um lugar corpóreo, eu soube que tinham sido impressos os sinais de tuas santíssimas chagas, dignas de respeito e adoração".
"Deus onipotente e Mestre generoso de todo bem, digna-te garantir-nos sempre este alimento enquanto caminhamos em nosso exílio, na espera de que – contemplando com rosto descoberto a glória do Cristo – sejamos transformados à sua própria imagem, de luz em luz, como sob suavíssimo sopro".
"Durante uma pregação feita na capela por um frade, este dizia: 'O amor é um dardo de ouro. Se o homem o lança sobre qualquer outra pessoa, ele a possui de algum modo. Seria, pois, loucura usar o amor para os bens terrestres, mas negligenciar os bens celestes'. Inflamada por tais palavras, Gertrudes disse ao Senhor: 'Que me seja condedido este dardo! Então, sem esperar um segundo, eu me esforçaria para vos transpassar com ele, a Vós, único bem-amado de minha alma, para ter-vos sempre comigo'. Ela ainda pronunciava tais palavras, quando viu o Senhor que a mirava com uma flecha áurea e lhe dizia: 'Tu planejas ferir-me, caso possuísses uma flecha de ouro. Mas eis que sou eu quem a tenho! Desejo com ela transpassar-te de tal modo, que jamais poderás sarar'".
"E era uma flecha com três curvaturas: no início, no meio e na extremidade. Assim se mostrava o tríplice efeito que esta flecha provocava na alma ferida. Quando a primeira curvatura penetra na alma, sua ferida a torna semelhante a um enfermo, que sente somente desgosto pelos bens passageiros: não há coisa alguma neste mundo que lhe assegure prazer nem consolação. A segunda, ao penetrar na alma, a faz parecer uma pessoa com alta febre que, exasperada pela dor, reclama pelo remédio com extrema impaciência. Assim é a alma nesta situação: o desejo que possui é tão intenso que, sem conseguir dominá-lo nem moderá-lo, arde por unir-se a Deus. E quando isto lhe parece impossível, se acaso ela não o experimenta, chega quase a perder o respiro. A terceira curvatura, enfim, quando penetra na alma, a faz elevar-se a uma altura tão sublime que nenhum de nós pode imaginar. A tal ponto, que uma mínima descrição deste estado nos faria dizer que a alma – como se fosse separada de seu corpo – estivesse toda mergulhada em delícias, nas torrentes do néctar da divindade".
"Ó Fogo verdadeiro que tudo consome! Ó Fogo operante, cujo poder queima os vícios para manifestar à alma o suave vigor de tua unção! Só em ti nos é dada a força que restaura, re-fomando nosso ser segundo a imagem e semelhança original".
"Eu recitava esta prece: 'Pelo vosso Coração transpassado, ó Senhor amantíssimo, dignai-vos transpassar meu coração com os dardos de vosso amor, para que nada de terrestre nele pemaneça e que ele seja repleto unicamente da virtude de vossa divindade'. Tendo assim rezado, bem depressa percebi – através de uma graça interior e de um sinal externo que vi surgir sobre o crucifixo – que minha prece havia chegado ao vosso Coração. Com efeito, depois de receber o sacramento da vida, já de volta ao meu lugar, pareceu-me ver partir do lado direito do crucifixo que está impresso sobre meu livro algo como um raio de sol, cuja extremidade tinha forma de uma flecha. Este raio emanava vigorosamente em minha direção. Conteve-se por um instante, depois se lançou novamente e permaneceu fixo, atraindo toda a minha afeição".
"Ainda que sabia eu que me achava no dormitorio, me parecia que me encontrava no lugar do coro aonde costumava fazer minhas tibias orações e ouvi estas palavras 'eu te salvarei e te livrarei. Não Temas'. Quando o Senhor disse isto, extendeu sua mão mão fina e delicada até tocar a minha, como para confirmar sua promessa e proseguiu: 'Has mordido o pó com meus inimigos e has tratado de extrair mel dos espinhos. Volve-te agora a Mim, e minhas delicias divinas serão para ti como vinho'".
"Então vi na mão que pouco antes se me havía dado como prenda, as joias radiantes que anularam a pena de morte que havia sobre nós".
http://coracaomistico.blogspot.com.br/2009/01/santa-gertrudes-de-helfta-1256-1302.html
REJUBILAR 2012 - ALEGRIA SEM FIM!
Como há muitos anos, a Renovação Carismática Católica de Sobral, em parceria com a Diocese e outros cristãs desejosos de uma renovação na vida espiritual da comunidade católica sobralense e de cristãos de cidades circunvizinhas, está realizando de 15 a 17 deste, o REJUBILAR, evento de rua, que objetiva a evangelização, o testemunho cristão da verdadeira alegria, fruto do Espírito de Deus. Vale ressaltar a presença maciça de jovens, que se deixam envolver pela alegria da música e partilham dos valores do respeito e do entretenimento cristãos.
O evento teve sua abertura na noite de ontem, com a Celebração da Sagrada Eucaristia, na Capela do Menino, na Praça São João, seguida da Micareta Católica, propriamente dita, animada pelo Ministério de Música da Comunidade MARANATÁ, da RCC de Sobral e de KATIANE SILVA, Missionária da Comunidade Católica SHALOM, do Rio de Janeiro. Importante ressaltar, a presença do Padre Gonçalo de Pinho Gomes, Vigário Geral da Diocese, manifestando sua alegria, pela relização do evento, que se configura num ato evangelizador, quando a Igreja do Brasil, se prepara para vivenciar a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, que acontecerá no Rio de Janeiro, em 2013. Prosseguirá, ainda, seguindo a programação abaixo citada:
SEXTA-FEIRA (16/NOVEMBRO)
20h – IMPERDÍVEL!!!! SANTA MISSA – IGREJA MENINO DEUS
21:30 –MICARETA CATÓLICA DO CEARÁ – REJUBILAR
ATRAÇOES: JAKE, ADRIELLE LOPES, RAINHA DA PAZ
SABADO (17/NOV)
20h – IMPERDÍVEL!!!! SANTA MISSA – IGREJA MENINO DEUS
21:30 –MICARETA CATÓLICA DO CEARÁ – REJUBILARATRAÇÕES: DIVINA LUZ, SWINGUERA DE CRISTO, OZ PIRADINHOS
ALGUNS MOMENTOS REGISTRADOS:
Frei Glauber, Capuchinho, um jovem em meio aos jovens!
Padre Gonçalo de Pinho Gomes - Vigário Geral da Diocese, no momento em que dirige sua palavra aos presentes.
O evento teve sua abertura na noite de ontem, com a Celebração da Sagrada Eucaristia, na Capela do Menino, na Praça São João, seguida da Micareta Católica, propriamente dita, animada pelo Ministério de Música da Comunidade MARANATÁ, da RCC de Sobral e de KATIANE SILVA, Missionária da Comunidade Católica SHALOM, do Rio de Janeiro. Importante ressaltar, a presença do Padre Gonçalo de Pinho Gomes, Vigário Geral da Diocese, manifestando sua alegria, pela relização do evento, que se configura num ato evangelizador, quando a Igreja do Brasil, se prepara para vivenciar a JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, que acontecerá no Rio de Janeiro, em 2013. Prosseguirá, ainda, seguindo a programação abaixo citada:
SEXTA-FEIRA (16/NOVEMBRO)
20h – IMPERDÍVEL!!!! SANTA MISSA – IGREJA MENINO DEUS
21:30 –MICARETA CATÓLICA DO CEARÁ – REJUBILAR
ATRAÇOES: JAKE, ADRIELLE LOPES, RAINHA DA PAZ
SABADO (17/NOV)
20h – IMPERDÍVEL!!!! SANTA MISSA – IGREJA MENINO DEUS
21:30 –MICARETA CATÓLICA DO CEARÁ – REJUBILARATRAÇÕES: DIVINA LUZ, SWINGUERA DE CRISTO, OZ PIRADINHOS
ALGUNS MOMENTOS REGISTRADOS:
Frei Glauber, Capuchinho, um jovem em meio aos jovens!
Padre Gonçalo de Pinho Gomes - Vigário Geral da Diocese, no momento em que dirige sua palavra aos presentes.
Ir. Edmilson Moreira, MAM
ILMAM - Instituto de Leigos Missionários do Amor Misericordioso
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
LEIA, ENTENDA E COLABORE CONOSCO!
RESTAURANDO A CASA
DA MISERICÓRDIA
I L M A M
Instituto de
Leigos Missionários Amor Misericordioso
C.N.P.J.: 04.
254. 575/0001 - 91
“Cada um dê como
dispôs em seu coração, sem pena nem constrangimento, pois Deus ama a quem dá com alegria.” (II Cor 9,7)
Somos uma Associação religiosa,
missionária, fundada na Diocese de Sobral em 1996, que abriga jovens e
adultos. Nosso objetivo fundamental é a EVANGELIZAÇÃO, entendida como nos
ensinam nossos bispos: anúncio de Jesus
Cristo, sua pessoa, seu projeto e promoção
humana. Nossas raízes encontram-se na Paróquia da Sé, Sobral, mas temos
trabalhos desenvolvidos nas paróquias de Groaíras, Cariré, Santana do Acaraú,
Massapê, Martinópole, Bela Cruz, Forquilha, Uruoca, sempre junto às periferias
e zona rural.
Em 23 de abril de 2000, fundamos a CASA DA MISERICÓRDIA, sede do
Instituto, espaço de acolhimento, lugar que se propõe a assemelhar-se ao
Coração de Deus. Nela desenvolvemos trabalhos com a comunidade, nos encontramos
para rezar e aprofundar nossa formação humana e cristã. Estamos situados no Bairro Dom Expedito, em Sobral, na praça da Capela de São Pedro.
Nossa casa é uma construção antiga
e necessita de reparos urgentes, para que continuemos a funcionar,
desenvolvendo nosso trabalho, vivenciando nossa vocação de ADORADORES DO CORAÇÃO EUCARÍSTICO DE JESUS, que nos anima
fortemente para a VIDA MISSIONÁRIA.
POR MEIO DESTA VIMOS PEDIR A SUA
CONTRIBUIÇÃO! Estamos
necessitando de 2 sacas de cimento, cal, areia, 8 S de ferro para amarração de
rachaduras, 1 porta de 1,70 x 58 cm, 150m de fio para instalação elétrica, 45
pacotes de supercal, lixa para ferro e para madeira, 10 lâmpadas fluorecentes
(40 watts) / soquete, 20 interruptores, 10 litros de tinta para portas (verde),
6 litros de tinta preta para ferro, 20 varas de canaletas, 1 chuveiro e uma
descarga plástica completa, dois pedaços de linha, de 1,35m cada. A mão de obra
de pintura, foi orçada em R$ 500,00. Somos uma comunidade pobre, sem recursos,
visto que sobrevivemos de doações. FICAREMOS
IMENSAMENTE GRATOS COM A SUA CONTRIBUIÇÃO. CONTATOS: EDMILSON MOREIRA –
9400.5651 ou ALZIRA – 9283.9069.
Pedimos ao Senhor por intercessão
de nossas mestra espirituais Santa Terezinha do Menino Jesus, Santa Faustina
Kolwalska e da Beata Rosa Gattorno, e de nossa mãe, Maria Santíssima, Mãe das Dores
e da Misericórdia, que derrame copiosas bênçãos de paz, saúde e fé, sobre você
e aqueles a quem você ama! Toda a comunidade diz: Muito obrigado!!!
Ir. Francisco Edmilson Moreira Carneiro, MAM
Coordenador Geral do ILMAM
domingo, 11 de novembro de 2012
sábado, 10 de novembro de 2012
CRISTIANISMO MUMIFICADO, AUSÊNCIA DE PROFETISMO
Quando olho para esta crise civilizacional que estamos vivendo e para os sofrimentos que dilaceram a vida de tantos irmãos e irmãs nas periferias deste mundo, percebo o quanto nos distanciamos de nós mesmos e de Deus, razão maior de nossa existência. Trilhamos caminhos tortuosos e obscuros, nos esquecemos daquilo que nos humaniza, deixamos com que as cinzas do materialismo e do consumismo diminuíssem o brilho da centelha divina que ainda fumega em nós(...) Vaidade e presunção pensar que nos bastaríamos e que poderíamos alcançar a felicidade as custas da dor e da miséria de tantos. Se nós pudéssemos sentir, viver mesmo que por alguns instantes, as mesmas amarguras daqueles que vivem nos porões da humanidade, talvez entenderíamos que o essencial da fé cristã não é a observância cega de preceitos e ritos, mas a capacidade de amar o outro como Cristo amou e ser na vida dele um sinal de Ressurreição.
Burocratizamos e mumificamos de tal maneira nossa vida cristã que acabamos perdendo a espontaneidade própria dos filhos de Deus, a admiração e o enamoramento daqueles que se apaixonam por um nobre ideal. A evangelização precisa estar impregnada de paixão pelos valores do Reino, de fascínio e encantamento pelo projeto libertador de Jesus Cristo, daquela perfeita alegria descrita de maneira tão profunda por São Francisco de Assis. Esse encontro de amor com Deus, São João da Cruz descreveu de forma cristalina em seu cântico espiritual:
"Mostra a tua presença! Mata-me a tua vista e formosura;
olha que a doença de amor não se cura
senão com a presença e a figura."
A indiferença para com as minorias distorce o verdadeiro sentido da evangelização, é transformar o Evangelho e a mensagem de Jesus num grande "faz de conta". Quando agimos assim, sepultamos o Deus vivo e transformamos o nosso batismo num mero ritualismo inexpressivo. O emudecimento de alguns movimentos da Igreja, por exemplo, diante da horrenda desumanidade que grassa nesta sociedade é algo execrável e vergonhoso. Quem tem ouvidos, ouça! É hora de reavivar a nossa experiência com Deus, reacender a luz inconfundível de Cristo que ilumina a escuridão do nosso individualismo e romper com a visão míope que temos sobre a nossa atuação na sociedade.
Em vez de burocratas do sagrado, precisamos de homens e mulheres capazes de escutar os clamores de seu povo e agir em favor dele. Os leigos e leigas devem almejar essa maturidade na fé, romper com todo modelo eclesiológico piramidal que ainda persiste em algumas paróquias e comunidades para viverem plenamente a sua vocação e identidade eclesial. Precisamos transcender a nossa visão a respeito de Cristo, nos esforçarmos para compreendermos as suas escolhas, os seus conflitos e opções. Só assim, poderemos repetir com convicção as palavras do apóstolo Paulo: "Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim" (Gal 2, 20).
Por César Augusto Rocha - coordenador do Conselho Diocesano de Leigos/as
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