sábado, 4 de maio de 2013

PALAVRA DOS PASTORES


Nota Oficial da CNBB sobre a Beatificação de Nhá Chica


cnbbA Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publica nota sobre a beatificação de Francisca de Paula de Jesus, conhecida como Nhá Chica. No texto, a entidade destaca que "o reconhecimento pela Igreja da santidade de Nhá Chica, passado pouco mais de cem anos de sua morte, confirma a importância de se colocar em relevo o exemplo de sua vida de fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho".
A seguir, a íntegra do texto:
Nota Oficial da CNBB sobre a Beatificação de Nhá Chica

Brasília, 2 de maio de 2013

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, com toda a Igreja, louva e bendiz a Deus pela Beatificação de Francisca de Paula de Jesus, carinhosamente chamada pelo povo de Nhá Chica, neste sábado, 4 de maio de 2013, na cidade mineira de Baependi. O reconhecimento pela Igreja da santidade de Nhá Chica, passado pouco mais de cem anos de sua morte, confirma a importância de se colocar em relevo o exemplo de sua vida de fidelidade a Cristo e ao seu Evangelho.
A Beatificação de Nhá Chica é uma mensagem de extraordinário significado e importância para nossa Igreja. Filha e neta de escravos, analfabeta, órfã ainda criança, viveu no escondimento, na pobreza e na simplicidade. Devota de Nossa Senhora da Conceição, consagrou seu tempo e consumiu sua vida, como leiga que testemunha a fé, servindo às pessoas, especialmente na nobre tarefa de escutar e aconselhar. Seu cuidado com os mais pobres rendeu-lhe o belo título de “Mãe dos pobres”. Aos que lhe atribuíam favores especiais, respondia com a verdade de quem crê: “Isso acontece porque rezo com fé”.
A biografia de Nhá Chica revela sua vida de intimidade com Deus e nos estimula a buscar o ideal proposto por Cristo, como nos lembra São Paulo: “A vontade de Deus é esta: a vossa santificação” (1Ts 4,3). O testemunho de nossa mais nova Beata torna-se, portanto, convite irrecusável a viver intensamente o encontro com Jesus Cristo que “implica necessariamente amor, gratuidade, alteridade, unidade, eclesialidade, fidelidade, perdão e reconciliação” e leva cada discípulo-missionário a se tornar “fonte de paz, justiça, concórdia e solidariedade” (cf. DGAE, 16).
Saudamos e agradecemos à Diocese de Campanha e a todos que se dedicam à causa de canonização de Nhá Chica, bem como ao Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos, Cardeal Angelo Amato, por presidir a cerimônia de beatificação desta Serva de Deus.
Que a Beata Nhá Chica alcance de Deus graças e bênçãos para todo o povo brasileiro e nos ensine a trilhar o caminho da santidade, vivendo na simplicidade e na pobreza evangélicas.

Raymundo Damasceno Assis
Cardeal arcebispo de Aparecida (SP)
Presidente
José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luis (MA)
Vice-presidente
Leonardo Ulrich Steiner
Bispo auxiliar de Brasília (DF)
Secretário Geral

IGREJAS IRMÃS! PARTICIPE!


domingo, 28 de abril de 2013

ESPIRITUALIDADE



O que é Espiritualidade

Espiritualidade é literalmente a qualidade do que é espiritual, e a vida segundo o espírito. Não devemos compreendê-la de modo dualista, separando corpo e espírito. É um encontro com o absoluto na vida tomada holisticamente, e o ser humano integral que experiência o transcendente.
Envolve o espiritual e o material, o individual e o social, o pessoal e o estrutural, o transcendente e o imanente, a contemplação e a ação, a fé e a justiça, a teoria e a prática...
Quando falamos em espiritualidade cristã, entendemos melhor esta exigência. “Espiritualidade cristã é um modo de ser cristão", definiu Gustavo Gutierrez. É deixar-se guiar pelo Espírito que o próprio Jesus viveu e proclamou. Esse espírito que gera vida nova, liberdade e nos torna filhos de Deus, como nos diz São Paulo: “Se vivemos pelo Espírito, pelo Espírito pautemos também nossa conduta" (Gl 5,25). E vivamos esta conduta já, aqui e agora, por isso a espiritualidade é essencialmente prática. A relação com a divindade reflete-se na relação conosco mesmos e com o outro, o nosso próximo. Viver a espiritualidade é deixar-se conduzir pelo Espírito, e imitar Cristo, ser o próprio Cristo.
Não nos esqueçamos que para viver a espiritualidade Cristã se faz necessário o compromisso. Mas não unicamente o compromisso com Deus, a vivência de práticas piedosas, de oração, afastando-se da realidade da Igreja,  Povo de Deus. Lembremo-nos que Jesus viveu sua santidade no mundo, no contato com o próximo, com o excluído... Hoje quem seriam estes nossos irmãos e irmãs?
De suma importância para nós Cristãos é termos em mente que a espiritualidade vivenciada por Jesus foi a da pratica da justiça e do amor.
Viver segundo o Espírito, ou guiado por Cristo, exige este compromisso com o próximo, imagem e presença do Criador.
Quando pensamos na realidade brasileira e latino-americana, esse compromisso é ainda mais exigente. Como agiria Cristo num ambiente de exclusão e desigualdade, opressor e injusto como o nosso? O Brasil e toda a América Latina foram explorados desde a chegada dos primeiros europeus. Perdeu praticamente toda sua riqueza natural e cultural. Hoje sofremos as conseqüências de toda essa desestruturação. Há uma desigualdade gritante entre ricos e pobres, entre um pequeno grupo que tem acesso a tudo: à melhor tecnologia, à fatura, ao melhor ensino. E há também uma imensa massa que é manipulada, explorada e mal tem acesso aos meios básicos para sua sobrevivência. Em todos os âmbitos, vemos essa diferença. Vale tanto para a economia como para a saúde, a educação, a cultura, a moradia, a política, o lazer... Vive-se uma constante tensão, insegurança e instabilidade. Para muitos, o único apoio é a fé e a esperança.
E HOJE...
Cada vez mais se busca na fé o sustento para a vida, ânimo para superar as dificuldades e respostas para as angústias e os medos. Como ser cristão autêntico neste contexto? Como viver a liberdade e o amor neste ambiente de opressão e competição? Somente olhando para a vida de Cristo encontraremos uma resposta. Somente a partir do exemplo de Jesus podemos delinear uma espiritualidade própria a esse contexto.
A mensagem do evangelho é radical e nos conduz a uma ação revolucionária e libertadora, como foi a vida de Cristo. Ele denunciou as injustiças, enfrentou os opressores e protegeu os fracos e humildes. O cristão é chamado a essa vivência também. Como dizíamos anteriormente, espiritualidade exige uma prática, uma vivência no mundo de forma diferente, guiada pelo Espírito e imitando Cristo.
Nesse contexto de opressão, somos claramente impelidos a termos atitude profética e solidária. Profética porque devemos ir contra a estrutura excludente e que não gera vida, estrutura que nega a dignidade e a liberdade a uma multidão de seres humanos.
Devemos lutar pela justiça e pela igualdade.
E nossa ação deve também ser solidária, caridosa. Jesus nos diz que devemos "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos". E amar o próximo é participar de sua vida, sofrer com suas dores e lutar pela sua felicidade e bem-estar. É  conduzir o outro à vida, formar comunhão com ele. Daí surge o Reino. É da alegria em ver o outro feliz, da humildade em reconhecer o outro com todas as suas qualidades e defeitos, que brota o Reino de Deus.
Parece-me que o melhor modo de viver a espiritualidade, hoje, nesse contexto, é unindo a defesa dos humilhados, a luta pela dignidade e pelo direito dos oprimidos com o amor e a humildade de coração. Unir a força e a coragem do mártir, do profeta, com a serenidade e abertura a Deus do monge. Unir a denúncia e oposição ao sistema sócio-econômico injusto com a simplicidade e sensibilidade. Unir justiça e amor. Seria como unir modelos de espiritualidade como dom Oscar Romero e São Francisco de Assis.
Isso, evidentemente, é um ideal que nossas limitações humanas dificultam a concretização. Mas se procurarmos verdadeiramente esse caminho de espiritualidade, certamente obteremos bons resultados e uma satisfação enorme por ter respondido ao convite de Deus.
Fonte:Congregação dos Irmãos dos pobres de São Francisco


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sábado, 27 de abril de 2013

QUINTO DOMINGO DA PÁSCOA


NOVO CÉU E UMA NOVA TERRA

“Eu vos dou um novo mandamento”. Verdadeiramente o Senhor veio
 para fazer “nova todas às coisas”. Mas no Antigo Testamento aprendemos,
 em Deuteronômio e Levíticos, e Jesus repete isso em seu confronto
 com os escribas “Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os
 mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único
 Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda
a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o
 segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento
 maior do que estes não existe”. É esse mandamento foi o que direcionou
 a vida do povo de Israel durante todo o Antigo Testamento, mas Jesus
 antes de partir para o Pai nos Deixou um novo mandamento: “Amai-vos
 uns aos outros como eu vos amei”. A exigência do amor de Jesus nos
 leva ao encontro do outro, quem ama o próximo conseqüentemente
ama a Deus, pois Deus é amor. Quem é o meu próximo? Como na parábola
 do Bom Samaritano, o próximo é aquele que está precisando de meu
amor neste momento. E geralmente o amor é exigido em uma situação
 de desamor, em um problema, em uma situação em que só o amor pode resolver e solucionar um problema. E isso é exigente. Faz com que saiamos
de nossa individualidade, vencendo nossas barreiras e limitações para ir ao encontro da necessidade do outro sem esperar nada em troca. É o que
Paulo nos coloca na primeira leitura: “... exortavam a permanecerem firmes
 na fé, dizendo-lhes: ‘É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus’". Esse sofrimento que Paulo coloca é referente à doação incondicional de amar o próximo até a morte, se necessário, e isso, olhando para a vida dele, vemos que em todos os lugares em que foi pregar
a Palavra de Deus passava por privações e perseguições, mas nem por isso desistiu de amar o próximo como Jesus amou, e foi até a morte pelo nome
 de Jesus.
É nesse amor que reconhecerão que somos de Cristo. O mundo esta desfacelado pelo egoísmo, individualismo, hedonismo, materialismo...
A fé está em baixa e a adesão a Deus está cada vez mais distante. E por
quê? Porque nós, Cristãos, que deveríamos dar testemunho desse amor incondicional ao nosso próximo está raquítica e minguando, e a cada dia vemos menos testemunho nos cristãos: é no meio político, nas empresas – empresários e funcionários, nas escolas – professores e alunos, é no
comércio – patrão e empregados... E somos um país cuja maioria é Católica
 e muito mais ainda se incluirmos todos os cristãos.
Jesus diz: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes
amor uns aos outros”. O amor é a solução para todos os problemas, o
Senhor nos deixou a regra para conduzirmos nossas vidas e transformar a
 face da terra.
Assim quando olhamos para a leitura de Apocalipse “Um novo céu e uma
nova terra”, ficamos perplexos daquilo que nos espera: "Esta é a morada
de Deus entre os homens. Deus vai morar no meio deles. Eles serão o
seu povo, e o próprio Deus estará com eles. Deus enxugará toda lágrima
 dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem
choro, nem dor, porque passou o que havia antes". Mas quando será isso? Somente no fim. Quem perseverar até o fim verá “um novo céu e uma nova terra”, mas serão aqueles que passaram pela grande tribulação e foram lavados pelo sangue do cordeiro. Serão aqueles que conseguiram amar
como o Senhor nos amou, aqueles que seguiram o Mestre, que foram discípulos e fizeram o que o Mestre fez, aprenderam em tudo seguir os
passos de seu Mestre ao ponto de se tornarem missionários e formaram
outros para viver o amor, formaram uma comunidade de irmãos vivendo o amor, formaram a Igreja e pelo testemunho conquistaram o mundo para
Deus.
Nossa?! Isso é utopia ou é uma possibilidade? Tem um ditado que diz:
“Quem viver, verá”. De fato somente quem estiver disposto a seguir os
passos do Mestre poderão ver e viver as alegrias de um “novo céu e uma
 nova terra”. Não deixe pra depois, o tempo é curto, a vida passa rápida e
 logo nós também passamos. Faça um pacto com Deus, de amar e servir
o seu próximo, independente de quem seja até dar a vida, se necessário
for, e o prêmio você já sabe: “Deus vai morar no meio deles. Eles serão o
 seu povo, e o próprio Deus estará com eles”. Ver a Deus face a face. Hoje vemos na fé, mas esta vai passar e veremos nosso criador tal como Ele é.
 Será a alegria eterna... Pense nisso, vale a pena!

Antonio Ribeiro de Castro
Fundador da COMDEUS



domingo, 21 de abril de 2013

A CNBB e as Novas Comunidades



CNBB quer elaborar orientações para as Novas Comunidades

Jéssica Marçal
Enviada especial a Aparecida (SP)


Arquivo/CN
Dom Alberto vê que as novas comunidades foram suscitadas na Igreja pela ação do Espírito Santo
Durante esta semana, a questão das novas comunidades foi um dos assuntos que esteve na pauta de discussão dos bispos que participam da 51ª  Assembleia Geral da CNBB em Aparecida (SP). Esta é uma realidade que se faz cada vez mais presente na Igreja no Brasil e no mundo.

O arcebispo de Belém (PA), Dom Alberto Taveira Corrêa, disse que os bispos começaram a tratar a questão mais de perto nesta assembleia. "O que já é uma grande novidade, porque o assunto entra agora de uma forma mais explícita”, disse.

O arcebispo contou que acompanha de perto as novas comunidades e vê que elas foram suscitadas na Igreja pela ação do Espírito Santo justamente para contribuir com a nova evangelização. Ele citou como exemplo o trabalho realizado na Revista dos 'Jovens Conectados', da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB.

“Se a gente observa essa revista dos Jovens Conectados na preparação da Jornada (JMJ), há presença reconhecida e valorizada das comunidades novas como elemento de evangelização da juventude. Para mim, isso é muito significativo e positivo, porque já expressa que a Igreja no Brasil conta com as comunidades novas”.

Sobre as orientações práticas para essas comunidades novas, Dom Alberto informou que ainda não há nada concreto. O assunto debatido na Assembleia apenas manifestou o desejo de que haja orientações de como os bispos devem acolher essas comunidades novas e como podem orientá-las no exercício do seu próprio ministério. “Carisma é Dom de Deus. O bispo não é o proprietário dos carismas, mas cabe a ele um discernimento dos carismas”.

E sobre a atuação dessas novas comunidades na paróquia, que é o âmbito destacado no tema central da Assembleia deste ano ('Comunidade de comunidades: uma nova paróquia'), o arcebispo de Belém explicou que essa atuação se dá de forma temática. “As comunidades novas não atuam somente nas paróquias. A paróquia é uma organização territorial da Igreja. Eu diria que as comunidades e movimentos entram na vida pastoral de uma forma transversal, temática, segundo o carisma de cada uma dessas comunidades, colocando-se à disposição dos bispos”.

Como exemplo, Dom Alberto citou alguns trabalhos realizados em sua arquidiocese. Há uma comunidade que, junto com o bispo auxiliar, assumiu o trabalho de evangelização das 40 ilhas presentes na arquidiocese. Outras comunidades, segundo ele, atuam diretamente em alguma paróquia. “Portanto, segundo o carisma, há sempre um intercâmbio: carisma – realidade, carisma – paróquia, carisma – diocese, sempre tudo isso mediado pelo ministério do bispo", concluiu.

sábado, 20 de abril de 2013

CRISMA DE JOVENS DA COMUNIDADE DO BAIRRO DOM EXPEDITO: PRESENÇA DE DOM ODELIR JOSÉ MAGRI, MCJ, NA CASA DA MISERICÓRDIA








OBREIROS DA CONSTRUÇÃO QUE SOU EU! MUITA GRATIDÃO E . . . SAUDADES!

IRMÃ RITA MENDES PEREIRA
(Irmã Rosália)


                             O viver e o surpreender-se são inseparáveis! Assim como não é possível separar aquilo que somos capazes de aprender com aqueles com quem convivemos e a realidade existencial em que nos tornamos.
                            Conheci a Irmã Rosália ainda adolescente, nas celebrações que frequentávamos na Catedral de Sobral ou na Igreja do Menino Deus. Pessoa simples, generosa . . . Em 1992 ajudava-nos a Evangelizar a juventude da Paróquia da Sé, permitindo que utilizássemos o espaço físico do Centro de Educação Santo Antônio, casa das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, para preparar os jovens da Paróquia para o Sacramento da Crisma.
                            Dessa convivência pastoral, nasceu o convite para tornar-me professor de Ciências e Religião daquela Escola que guardo dentro de mim. No ano seguinte, 1993, convidou-me para assumir a Coordenação Pedagógica da casa de Educação da qual era Diretora, e onde permaneci trabalhando ao seu lado até 2002. Fui presenteado com a sua confiança e pude desfrutar do seu apoio, sempre.
                       Pelo seu testemunho, fortaleceu em mim um grande Amor pelo Coração Sagrado de Jesus.
                       Primeira Madre da Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, nunca perdeu a humildade. Mulher forte, de oração verdadeira e profunda, Esposa adornada do Amado Jesus, sempre manifestou a alegria de ter nascido em Taperuaba, sua Terra.
                       Em nossos encontros mais raros, depois que deixei de trabalhar no Centro de Educação Santo Antônio, sempre havia espírito de verdadeira acolhida, em cada abraço recebido e doado.
                      Partiu ao encontro de seu Esposo Jesus em 8 de abril, passado. Posso afirmar, com certeza, que reencontrou feliz, seu pai espiritual, Monsenhor Joaquim Arnóbio de Andrade, a quem sempre devotou, filial e terno amor.
                     O que dizer, então? Fui tomado de surpresa ao ler no Jornal Correio da Semana, hoje, 11 dias depois, sobre essa partida  . . . Pude encontrar dentro de mim o profundo e verdadeiro sentimento de gratidão, por todo o bem que foi capaz de semear em mim e em minha  minha família, profissional, humana e espiritualmente. Dizer o que? Muito obrigado! A Senhora ficará para sempre escrita dentro de mim. Tristeza? Não! Se a generosidade foi traço marcante de sua caminhada, pelos difíceis caminhos desta vida, quanto bem poderá fazer a nós, que ainda caminhamos, estando envolta pela generosidade sem limites, sem fim, do Sagrado Coração de Jesus, a quem devotou sua vida nesta terra.
                     Sorrimos e sofremos juntos, quanta aprendizagem! Muito obrigado, mais uma vez!
                     A todas as Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, o meu abraço solidário de fé e esperança pascal, extensivos aos seus familiares, de modo muito pessoal, ao Alan, seu sobrinho, pelo imenso carinho e zelo que sei, lhe devotou o quanto pode!
                    Permaneça com Nosso Senhor, IRMÃ ROSÁLIA! Ele a escolheu!


                    Peço á Irmã Carminda Amélia, MRCJ, permissão para reproduzir também aqui, seu texto-homenagem a essa mulher tão importante para mim!

GENTE DE LÂMPADA ACESA

Ir. Carminda Amélia, MRCJ
Conselheira e Secretária Geral




Para conhecermos bem uma pessoa muitas vezes é necessário saber sobre o que elas pensam ou falam de outros. Com que amabilidade pondera sobre alguém! Assim, podemos traçar um pouco do perfil de Ir. Rita Mendes Pereira, Ir. Rosália, nossa querida co-fundadora e primeira Madre Geral da Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus.
Com o título assinalado: “Gente de Lâmpada acesa: fiel na terra, feliz no céu”, penso em fazer justiça e uma homenagem merecida àquela que, reconhecida e grata ao fundador  Pe. Arnóbio, o cravo, e às nossas amadas Irmãs, as rosas, que a precederam no caminho do céu, escreveu um opúsculo cujo título deixa claro a sensibilidade e afetuosa amizade: GENTE DE LÂMPADA ACESA. 
Agora peço licença a autora para acrescentar mais uma rosa neste jardim florido e perfumado de gente que amou profundamente a Deus e teve uma vida dedicada à educação, evangelização e aos pobres: Rita Mendes Pereira, nossa Irmã Rosália, a rosa que nos deixou depois de uma longínqua caminhada, beirando seus bem vividos 88 anos e assim se expressa: “Jesus, nosso amado irmão e companheiro de jornada, esteja sempre ao nosso lado, quer seja longa ou breve a nossa caminhada. Ele mesmo nos conduza à mansão dos eleitos, onde com Ele e com Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, na companhia dos anjos e santos cantaremos os seus louvores”.


A essência de sua vida virtuosa traz os traços de sua genitora, pois a própria Irmã Rosália assim a descreve: “Fui muito influenciada pela personalidade e caráter de minha mãe a qual sempre foi para mim um verdadeiro exemplo. Sempre muito honesta, compadecida dos aflitos, humilde e pronta a perdoar. Sabia colocar-se constantemente nas mãos de Deus. Fui crescendo orientada por minha mãe, e esta confiava muito em mim”.
Recebe o dom divino do chamado à Vida Religiosa e faz de sua vida uma entrega total ao amor, cuja atração ao convívio com Deus, desde jovem foi este o seu desejo: “Dai para frente Jesus foi conduzindo-me ao seu amor e ao seu serviço”.  Com discernimento e clareza pode ser levada para fazer parte da primeira comunidade religiosa: “Anos depois, entrei para a Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus. Nesta Congregação tenho recebido tudo o que necessita uma alma para a sua ascensão espiritual”.
Não tenho o dom de burilar as palavras como nossa Ir. Rosália, cuja facilidade de escrever se dava pelo constante hábito de leitura, donde sorvia conhecimento e profunda acuidade de reflexão, cuja inspiração divina sempre lhe favorecia a espiritualidade: “Quem ama se eterniza. Quem vive voltado para Deus, e aceita o outro como ele é, está se eternizando”, escrevia ela no preâmbulo sobre alguns traços de vida de Ir. Luiza. E não poupa reconhecimento de suas virtudes: “A sua generosidade era admirável: esquecia de si para atender os outros. Ir. Luiza foi a primeira superiora no início da Congregação”.  
Como co-fundadora, reconhece em sua co-irmã, Irmã Luiza, as qualidades necessárias para levar adiante a congregação nascente: “Lembro bem na capelinha de Santo Antonio, no início da congregação... Daí para frente só Deus sabe...”  e acrescenta: “As dificuldades eram imensas (...).  Existia somente uma abundância, era a boa vontade e o desejo que a congregação progredisse”. Que belo exemplo de fraternidade! Reconhecer na outra os dons e se deixar conduzir, obedecer... 
Disso também sou testemunha de sua obediência e humildade quando aceitou está sob a minha coordenação de 1999 aos meados de 2005, quando Irmã Rosália, deixando a direção do Colégio Santo Antonio e lança-se, sem olhar para trás, em busca de “águas mais profundas”, seguindo a ribeira do Rio Acaraú e desembocando no litoral, na cidade de Cruz. É exemplo de Irmã, amiga. Sempre me apoiando e jamais tentou sequer demonstrar que tinha vasta experiência no âmbito da educação, já que sua formação acadêmica era Pedagogia com especialização em administração escolar.  Dedicou-se plenamente à Biblioteca Irmã Portela, donde conduziu a sala de leitura com maestria, cujo reconhecimento é traduzido pelas palavras sábias e sinceras da Profª Luciany Sousa:  “Ir Rosália, hoje o céu se enche de luz com sua chegada! Mas, em antítese e numa confusão de sentimentos nós estamos tristes com sua partida, embora alegres por descansar junto de Deus. Obrigada por tantos ensinamentos! Foi maravilhoso ser sua aluna e também trabalhar com a senhora... Tenho certeza que todos que passaram pela “Oficina de Leitura” da EFSF e pela Biblioteca Irmã Portela têm boas histórias para contar e muito a lhe agradecer. Obrigada por todos aqueles “pontos”, por todos os reforços positivos, por ter me ensinado a escrever melhor, a lecionar melhor... a corrigir sempre mais, me empenhar sempre mais. E obrigada pelos recadinhos, pelos elogios, pelo carinho... por tudo”!
Por seu profundo amor a Eucaristia conduziu várias turmas na formação para a Primeira Eucaristia, e aqui também apresentamos alguns depoimentos: “IR.ROSALIA...DESCANSE EM PAZ.....FOI MINHA PROFESSORA NA EUCARISTIA....SERERMOS ETERNAMENTE GRATOS!!!!! por Gustavo Vasconcelos, entre tantos que lhe devotam estima, gratidão e saudade.
Mas falar de sua presença em Cruz, citando entre tantos feitos, muitas vezes silenciosos, foi o zelo pela Capela Nossa senhora do Perpétuo Socorro, cujas novenas da saúde, às quarta-feira, era motivo de preparar os cantos, o altar, as reflexões... Um jeito novo de evangelizar.
Ah! E como não falar do novenário do mês de maio, mês dedicado a Mãe de Deus, sua devoção preferida, qual lírio formoso ela vislumbra nos campos eternos:


“O nome de Maria é maravilhoso;Move o céu e a terra!
Qualquer coisa que façamos, para onde
Quer que dirijamos o olhar, sempre encontramos Maria, 
A Mãe de Jesus e nossa mãe, logo nosso espírito adquire
Serenidade e alegria.
Jesus está aqui. Maria a Mãe de Jesus também está aqui. 
Há portanto perfeita Comunicação entre o céu e a terra”.
(Do livro TAPERUABA Origem e Evolução)

Irmã Rosália deixa impresso a sua admiração pelo fundador: “O que mais encantava na vida de Pe. Arnóbio era o desejo que ele tinha de evangelizar. E na realidade ele evangelizou muito com a palavra, mas muito mais com a vida”.


A caneta corre veloz em sua mão como a de um ágil escritor e tomam forma as palavras e ela vai tecendo os textos com a mesma facilidade com que discorre a leitura: “O cristão tem o dever de iluminar os outros  e mostrar o caminho que leva até Deus. Através de suas ações ele pode refletir, permitindo que seu irmão enxergue e conheça a alegria de viver o AMOR de Deus”, escrevia ela na crônica dedicada a Ir. Abgarina.  
Na mensagem dedicada a Ir. Frota expressa a vontade que ela mesma carregava em seu coração humilde e generoso: “e quem tem o coração cheio de Amor tem que transbordar e esse transbordamento contagia o ambiente e os outros. Irradia fervor e vontade de ser melhor”. 
Para a Irmã Margaridinha resumiu de forma carinhosa: “Em resumo eu diria que a nossa “pequena” Irmã Margarida foi uma religiosa exemplar”. E acrescenta adiante: “A sua simplicidade, sem possuir diplomas na mão, foi modelando a autenticidade de sua Vida Reparadora, na oração, na disponibilidade, no amor e no respeito à Congregação”.
Assim podemos também traçar o perfil daquela cuja vida foi dedicada ao serviço de Deus, amor à sua família e amor à Congregação. Não se pode negar o testemunho desta rosa, Rosália, no jardim florido da Congregação das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus, que deixemo-nos nos educar ainda um pouco com suas palavras: “Rezar é estar na companhia de Deus. A oração coloca dentro de nossa vida certeza de que existe alguém que nos ama desinteressadamente, mesmo que não sejamos dignos desse amor. Mesmo que sejamos como o filho pródigo”.
Irmã Rosália escolheu a Casa do Menino Deus para viver seus últimos anos. E foi-se a flor que perfumou com sua sabedoria e humildade o jardim das Missionárias Reparadoras do Coração de Jesus: “que de manhã cedo ela viceja e floresce, à tarde cresce, murcha e por fim fenece” como canta o salmista.
Assim deixo a minha gratidão e peço ao Bom Deus que acolha Irmã Rosália no número de seus eleitos como a serva fiel que pôde sempre cantar: “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu”!

Ir. Francisco  Edmilson  Moreira Carneiro, MAM
Fundador e Coordenador Geral do ILMAM